A série Anos Incríveis foi exibida no final da década de 80 e início de 90 e contava a história de um garoto, Kevin Arnold, vinte anos antes daquele tempo, no final dos anos 60 e início dos 70. Aqui no Brasil ficou mais famosa por sua exibição na TV Cultura, mas também foi exibida pela Bandeirantes, Multishow e Rede 21 (dessa eu nem sabia). Tive a oportunidade de assisti-la criança e adolescente, e viver duas experiências diferentes. O engraçado é que hoje ainda podemos assisti-la e a história ser atual.
No início da série, Kevin é um garoto de 12 anos, mudando da escola primária para o ginásio (quem é da época da série entende os termos), e ao longo de seis temporadas acompanhamos suas experiências, passando pelo início de sua adolescência até o início da vida adulta. E é isso o que faz da série mágica. Impossível não se identificar pelo que Kevin passa, pois, mesmo que em diferentes gerações, os problemas dessa fase sempre são muito semelhantes. Os primeiros conflitos com os pais e irmãos, as relações com os amigos, os amores, a escola, o corpo que muda, as incertezas da vida, os ídolos etc. E se você lembra-se de algo mais, certamente a série retratou de alguma maneira, isso tudo em meio a acontecimentos importantíssimos pra história estadounidense e mundial, como a ida do homem à Lua, a morte de Martin Luther King Jr., a guerra do Vietnã e o auge do movimento hippie, tudo embalado pela trilha sonora repleta das músicas excelentes e inspiradoras da época, narradoras também da história (Separo alguns exemplos acima e uma playlist que encontrei no spotfy no final da página, dá o play e continua lendo).
Kevin é um garoto meio desengonçado, mas muito carismático e com uma imaginação muito fértil. è muito engraçado como na mente dele as situações tomam proporções inteiramente diferentes da realidade, no entanto retratando o que é comum sentirmos nas mesmas situações. Ele tem um melhor amigo desde o berço, o Paul, um jovem judeu mais desengonçado ainda, cheio das alergias (alérgico até ao próprio cheiro, segundo o irmão de Kevin, Wayne), que usa óculos e espirra só de ouvir falar em algo que possa ter alergia. Pra completar o trio de amigos temos Winnie, a garota que é a paixão de Kevin durante quase toda a série. Winnie é um contraponto ao personagem dos garotos, é menina, inteligente, bonita e mais madura, apesar de terem a mesma idade. Ao longo da história vários personagens aparecem, de todos os tipos, como na vida. Algo legal de assistir a série hoje em dia é ver que vários dos atores secundários ficaram conhecidos depois por outros papeis ou fazem sucesso ainda hoje.
No núcleo familiar de Kevin temos seu pai Jack, sua mãe Norma, e seus irmãos, a mais velha Karen e o já citado Wayne, o do meio. Os personagens são todos estereótipos a princípio, mas nem por isso deixam de ser profundos. Ao longo da série vamos conhecendo-os mais a fundo, acompanhando suas motivações e mudanças. Podemos inclusive nos identificar com algumas de suas experiências. O pai de Kevin trabalha numa firma é não é feliz no trabalho, todos os dias chega irritado. Tem um momento na série que ele abre o próprio negócio. Norma é dona de casa, mas também em um momento começa a buscar coisas novas e a trabalhar.
A irmã mais velha faz parte do movimento hippie e, somado a sua fase da adolescência, está sempre contrariando tudo. Conseguimos ver bem quão genuíno é o movimento na garota, mas também o seu momento de confronto pelo qual todos nós passamos num momento de nossas vidas, em que queremos ter nossa própria opinião e nos distanciar ao máximo à dos nossos pais. Impossível ainda não conseguir se identificar com a ingenuidade da garota ao seguir certas ideias e decepcionar-se depois,
Ainda temos Wayne, o irmão mais pentelho de todos, que parece que faz de tudo para que a vida de Kevin seja um inferno. Wayne também passa do estereótipo de irmão pentelho pra um rapaz que não sabe o que fazer da vida, busca um ideal no exército, quebra a cara e se vê sem saber o que é na vida até encontrar-se num objetivo menos idealista.
A série toda é cheia de momentos emocionantes em que conseguimos ver a busca ou o redescobrimento da identidade dos personagens, mesmo os adultos. É emocionante ver por exemplo o Wayne, que sempre foi um pé no saco do irmão, cuidar de um amigo que voltou perturbado da guerra e a mudança do olhar de Kevin (e do público) a seu respeito. Ou quando vemos a irmã mais velha ao sair de casa para ganhar o mundo por conta própria, e o sentimento dos pais ao ver a filha partir. O casal, que após anos casados e na rotina, conseguem redescobrir o amor. Os melhores amigos que brigam e fazem as pazes, e o momento em que se olham e descobrem que são adultos, completamente diferentes e que as semelhanças e a amizade da infância já é coisa do passado. O primeiro amor, que embora eterno, não dura pra sempre. A vida que passa.
Impossível não rir e/ou se emocionar a cada episódio. Nada na série vem gratuitamente e é tudo suportado pela narração em off de um Kevin adulto (Daniel Stern, Esqueceram de mim), mais experiente, fazendo uma reflexão de cada momento e suas consequências na vida dos personagens. E por fim, podemos tirar lições para nós mesmos, e de maneira alguma a série é cansativa nesse ponto, ao contrário, é inspiradora.
Não há como transcorrer sobre a série toda, em 6 temporadas os personagens amadurecem e mudam muito. Essa é apenas uma análise geral sobre uma série muito complexa que certamente tem muito a se comentar e conhecer. Pra quem nunca viu eu recomendo.
![]() |
| Só posso dizer que AMO!!! |


Nenhum comentário:
Postar um comentário